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Revolução energética: o controle da energia é do povo

por Alessandra Neris
Tempo de leitura: 6 Minutos

A história da humanidade é marcada por revoluções, que começam com a vontade do povo. Portanto, para uma revolução ser bem sucedida, a iniciativa precisa partir dos cidadãos, com o objetivo de resolver um problema comum e urgente. Hoje, uma das nossas maiores urgências é mudar o tipo de consumo de energia. Assim, como tudo o que se renova, o controle da energia é do povo, também.

Na revolução Francesa, por exemplo, os camponeses e a população urbana participaram ativamente da defesa de ideais iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade. E foi isso que desencadeou transformações profundas no governo francês, culminando com a consolidação do poder econômico e político burguês. Além disso, essas mudanças acabaram com o modo de produção feudal e o poder absolutista do rei.

Mudança da matriz energética na Europa

Há alguns anos, a Europa iniciava sua corrida para a mudança de sua matriz energética principal. Entre as razões estavam o perigo representado pela produção de energia nuclear. Além disso, havia o alto preço da energia elétrica provida pelas grandes concessionárias, com todo o lucro escorrendo para fora da comunidade. Assim, somava-se a essas razões a degradação ambiental pela queima de combustível, entre outras.

Motivos fundamentais para a mudança da matriz energética

Mas talvez a razão principal tenha sido a dificuldade que muitas pessoas têm para pagar suas contas de energia, a chamada pobreza energética. O inverno europeu é conhecido por suas temperaturas extremas. Nesse cenário, não conseguir pagar a energia necessária para aquecer a casa pode ser a diferença entre a vida e a morte. Outra cena comum são as pessoas presas no dilema de ter que escolher entre esquentar a casa ou colocar a comida na mesa.

São muitos casos de pessoas idosas morrendo por medo de ligar a calefação e não ter dinheiro para pagar a conta. Quando isso acontece, deixa de ser um problema de energia e vira um problema da ambição de grandes empresas. Por isso, o sentimento de revolta começa a se espalhar e a faísca para iniciar uma revolução está criada.

Sistema tradicional de fornecimento de energia

O sistema tradicional de fornecimento de energia é alimentado por urânio, gás, petróleo, carvão e energia hidrelétrica. Então, ele distribui sua eletricidade para a rede de alta tensão e, em seguida, a leva para as pessoas em suas casas. Nesse modelo as pessoas devem comprar a energia e o dinheiro sai da comunidade. Dessa forma, os produtores são monopolistas e a eletricidade é de propriedade privada, assim, o lucro da operação vai todo para o exterior.

Projeto independente

Mas quando a comunidade se reúne para formar um projeto de energia renovável, cria-se um ciclo virtuoso no qual as pessoas não precisam depender do governo. Assim elas podem trabalhar sozinhas e gerar a própria energia, demonstrando que o controle da energia é do povo. Elas assumem o comando do seu próprio futuro em face de forças corporativas ávidas por lucro em detrimento da saúde e até da própria vida.

Ações pela adoção da energia solar

Praticamente todas as ações em prol da energia solar na Europa que iniciaram a mudança partiram de pessoas comuns, de pequenas comunidades. Ao mesmo tempo, os adversários que tiveram que combater não eram nada pequenos.

O poderio das grandes distribuidoras de energia elétrica e a resistência dos governos talvez tenham sido o maior deles. Portanto, vale lembrar que a os governos normalmente estão do lado das grandes empresas. Essa luta não é rápida, fácil ou justa, mas precisa ser encarada.

Cooperativas no Reino Unido

Esse é um exemplo de incentivo. Há dez anos algumas pessoas do Reino Unido decidiram criar cooperativas de energia renovável ecológica. O objetivo era ajudar os cidadãos a criar energia a partir do vento e do sol.

No começo foi uma luta solitária e as pessoas riam do que as cooperativas estavam fazendo. Hoje, as cooperativas somam 60.000 membros que tratam a energia como propriedade pública, sem fins lucrativos.

O sucesso foi tão grande que resultou na criação da federação europeia de cooperativas de energia cidadãs. Elas eram conhecidas como Cooperativas de Fontes de Energia Renovável ou RESCOOP, que já conta com 1.500 cooperativas de energia.

Caso mais bem-sucedido

O caso de revolução energética mais bem sucedido da Europa é o da Alemanha. Após o incidente de Chernobyl, a sociedade civil começou a se perguntar como poderiam fazer para escapar da energia nuclear o mais rápido possível. Então, como os políticos não agiam na parte de cima, a população precisou começar a agir na parte de baixo. E foi por isso que aconteceu o primeiro encontro de pessoas interessadas em fugir da energia nuclear.

Nesse dia nasceu a ideia ousada: assumir o controle da rede elétrica. Mas como um pequeno grupo de cidadãos conseguiria lutar contra um provedor de energia que monopolizava o mercado há quase 100 anos?

Reação negativa

A decisão do grupo chegou à conclusão de que a única forma seria a realização de um referendo. Como esperado, a reação foi rápida, violenta e baseada em fake News, por meio de todo o poderio da máquina de propaganda. O principal argumento utilizado para convencer a população a não mudar é de que os preços iriam disparar. Foi uma disputa eleitoral feroz, que contou com a participação de 90% dos eleitores do país.

O controle da energia é do povo

O resultado foi apertado, mas a energia renovável venceu com 52,5% dos votos. Então, após o alívio resultante da vitória, a comunidade tomou uma importante decisão. A única forma dessa transição acontecer seria comprando a rede elétrica para poder decidir o que fazer com a energia renovável. Para tanto, era necessário investir quatro milhões de marcos.

Mas, com a ajuda das maiores agências de publicidade do país, a população conseguiu levantar doações. A comunidade, então, assumiu o controle da rede elétrica em 1º de julho de 1997. A questão da energia limpa é uma das mais discutidas e a que apresenta soluções mais efetivas em termos de ecologia em toda a Europa.

Movimentos e mudanças necessárias

Os europeus começaram antes a direcionar a energia pessoal em favor da mudança das matrizes de energia elétrica. E estão conseguindo.

Por aqui começa a ganhar força um movimento de pessoas que reconhecem a importância de se produzir energia sem queimar combustíveis não renováveis. E, como isso parar de degradar ainda mais as riquezas naturais. Em se tratando de Brasil, é uma necessidade e não uma causa, mais barata.

A energia solar preenche essas lacunas. É limpa, barata e é de todos… e está em nossas mãos. O movimento aqui também começa de baixo, precisa ser baseado na força da união, mas percorre caminhos diferentes. Aqui, precisamos primeiro mostrar que, além de necessária, a mudança é possível.

Fortalecimento de um conceito

O que realmente precisamos é fortalecer a ideia: o conceito de energia mais limpa e barata. Por isso, vale dizer que, a nosso favor, temos os avanços da tecnologia que nos permitem ter acesso a equipamentos cada vez mais baratos e eficientes.

De nossa parte, desde 2015 seguimos o objetivo de disseminar a ideia da produção de energia limpa e mais barata. Além de dar o exemplo, a Aldo Solar apresenta e traz os melhores equipamentos e capacita profissionais. E mais: parceiros revendedores e instaladores em todo o país ajudam na tarefa de tornar a energia solar um patrimônio das pessoas.

O povo tem o poder da mudança

Precisamos nos aproximar dos avanços registrados nos países desenvolvidos em termos de produção de energia elétrica limpa e sem intervenções drásticas na natureza. Assim, vamos seguir os bons exemplos e mostrar que apesar dos desafios, a energia das pessoas tem o poder da mudança!

A energia do sol é de todos nós e o controle da energia é do povo!

Por fim, aproveite para conferir alguns números nesse cenário. A Geração distribuída já atinge 5,6 GW e a Aldo comercializa 140 mil geradores de energia solar!

Conteúdo publicado originalmente no Canal Solar

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