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Energia solar nas hidrelétricas: aumento de 17% na geração de energia

por Alessandra Neris
Tempo de leitura: 4 Minutos

Você sabia que a energia solar nas hidrelétricas pode aumentar a geração de energia em 17%? A ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica anunciou que a conta de luz entrará na bandeira vermelha. Sabe o que isso significa? A partir do mês de maio ela ficará mais cara e isso é resultado da crise hídrica que afeta nosso país. Em outubro, a ONS registrou o pior mês dentro de um período de 90 anos no Sistema Interligado Nacional (SIN) dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas.

Energia solar nas hidrelétricas: o quadro pode ser revertido

Entretanto, esse quadro alarmante pode ser revertido por um processo que começou no final de 2020 e, assim, aumentar a capacidade de geração de energia. Trata-se da regulamentação da hibridização das fontes de energia disponíveis. Isso consiste m usar variados tipos de geração de energia em um único sistema.

A Michigan State University, recentemente publicou um estudo resultante de análise feita no caso específico do Brasil. Tal estudo demonstrou que associar as hidrelétricas à geração solar flutuante pode aumentar em mais de 17,3% a capacidade de geração de energia.

Capacidade das hidrelétricas da Região Norte

Na região Norte do Brasil, hoje as hidrelétricas apresentam uma ociosidade de 12 GW em razão dos baixos níveis dos reservatórios. O país ainda não se deu conta da necessidade e da urgência de se regulamentar a hibridização. As hidrelétricas são a principal fonte de geração de energia do país. No entanto, hoje estão operando muito abaixo de sua capacidade em função dos níveis baixos dos reservatórios.

Sendo assim, a implementação de energia solar nas hidrelétricas, por meio de usinas solares flutuantes inibiria em até 70% a evaporação dos espelhos d’água. Com isso, os dois sistemas trabalhando em conjunto, aumentariam a capacidade de gerar energia das hidrelétricas em mais de 17,3%.

Projetos pilotos no Brasil

No Brasil há projetos pilotos bem-sucedidos para geração de energia de forma híbrida. A Sunlution mantém um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento em parceria com a Companhia Hidrelétrica do Rio São Francisco (Chesf), do Grupo Eletrobrás. O projeto implantou painéis fotovoltaicos flutuantes numa área de 10 mil metros quadrados na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, que geram 1MWp.

Destacamos que já está a caminho uma segunda etapa, cuja capacidade aumentará para 2,5 MWp. E, para demonstrar o que o potencial de hibridização representa, a Chesf construiu 10 GW em hidrelétricas em 70 anos. Se 10% da lâmina d’água dessas 12 hidrelétrica forem usadas, será possível instalar 52 GW de energia flutuante. Isso significa a aquisição de quatro Chefs em dez anos.

Energia solar nas hidrelétricas

Juntamente com a empresa francesa Ciel et Terre, foi possível realizar mais um importante projeto. Foi a instalação de uma usina solar flutuante de 305 KWp na Fazenda em Cristalina – GO. Uma lagoa artificial abastecida por água das chuvas captada dos telhados dos galpões da fazenda teve 1.150 painéis fotovoltaicos instalados.

A partir deles, toda a energia gerada pode abastecer 170 residências populares do país. Esse é o primeiro caso de uma usina implantada sobre um lago, em escala comercial no país. É, também, pioneiro em uma propriedade rural.

Parceria com a BYD e a KWP

Em parceria com a BYD e a KWP, a Sunlution implementou, também, um projeto piloto da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), na represa Billings – SP. A represa ocupa 10.700 hectares de lâmina d’água, um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da Região Metropolitana. Por isso, recebeu o projeto piloto da primeira usina fotovoltaica flutuante com módulos 100% fabricados no Brasil.

Muito difundida na China, no Japão e Cingapura, o tipo de planta é capaz de garantir até 15% a mais de eficiência em comparação com fazendas solares em solo. Isso ocorre em razão do resfriamento dos painéis. Assim, em outubro de 2020, a EMAE abriu uma chamada pública para atrair investidores com a finalidade de construir novas plantas solares flutuantes no local.

Abertura de consulta pública

O mercado de energias renováveis comemora a abertura da consulta pública que visa a regulamentação da hibridização. Isso pode atrair R$ 76 bilhões, além de gerar 475 mil empregos no país, em 10 anos. Segundo cálculos iniciais, há projeção de ampliação da capacidade instalada atual de 109 Gigawatts para 128 GW, produzindo energia e potência.

Portanto, é uma notícia que foi recebida com entusiasmo pelo setor elétrico. A partir do modelo estudado seria viável a combinação de duas ou mais fontes de geração de energia e potência. Se colocado em prática, a hibridização proporcionaria a instalação de usinas solares flutuantes no parque hidrelétrico nacional. O novo modelo híbrido pode aumentar a capacidade de geração de energia nas usinas e causar um impacto positivo na economia.

Consumidor finais pode se beneficiar com redução de investimentos

Esses projetos pilotos, como os da Sunlution podem impulsionar e servir como referência para que se consolide o marco legar da hibridização. Portanto, com a publicação da Portaria nº 5.571, de 29/01/2019, a hibridização já consta na Agenda Regulatória da Agência para 2019-2020. Desde essa época, a ANEEL está trabalhando no sentido de normatizar parâmetros comerciais e regulatórios relevantes incluindo geração, transmissão e distribuição.

Benefícios previstos

Esse material ressalta os ganhos em eficiência para o sistema elétrico em relação à otimização e complementaridade do uso da rede. Isso reduz os custos de operação e adia a necessidade de novos investimentos em expansão.

Além disso, a Comissão de Apoio à Inovação da ANEEL (C-Inova) destacou a possibilidade de aproveitar as instalações de transmissão e distribuição ociosas em determinados horários. Assim, a diminuição dos custos pode beneficiar o consumidor, além de elevar a garantia física da hidrelétrica e equacionar o GSF. Portanto, o Generation Scaling Factor (GSF) significa a relação entre o volume de energia gerado pelas usinas e sua garantia física. Esse é um item que, atualmente, condiciona os contratos do setor.

Conforme observamos, ao implantar a energia solar nas hidrelétricas, podemos driblar um problema que já vem nos ameaçando há tempos. Agora, não é possível esperar mais, afinal, o clima já mudou e suas consequências são óbvias e muito sérias. Então, chegou a nossa vez de mudar o mais rápido possível.

Continue aqui no blog com a gente e entenda por que o investimento em energia solar está crescendo!

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