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Saiba quem são as mulheres no mercado fotovoltaico brasileiro

por Alessandra Neris
Tempo de leitura: 8 Minutos

Apesar dos inegáveis avanços no mercado de trabalho para as mulheres, sabemos que os desafios ainda são muitos. E, quando vemos o jargão: “o lugar da mulher é onde ela quiser” percebemos a representatividade que ele tem adquirido nas últimas décadas. É inquestionável que seu significado expõe com muita eficiência o conceito de direitos iguais para os gêneros. Por isso, ainda que o setor de energia solar também imponha os habituais desafios, as mulheres no mercado fotovoltaico brasileiro estão encontrando seu lugar. E o fazem com muita presença e força.

Basta pensar que a demanda no setor é alta, bem como a procura por mão de obra especializada. Sendo assim, oportunidades não faltam. Pensando nisso, nesse post faremos uma analogia entre mulheres e mercado fotovoltaico, deixando claro que esse segmento está aberto a todos os gêneros.

Um pouco de história

Sabemos que há muito tempo as mulheres enfrentam dificuldades, superam-nas e colecionam conquistas no mercado de trabalho. No entanto, não basta dar atenção somente para os dados atuais, é interessante, também, voltar no tempo e traçar esse caminho até aqui.

Até os anos 1940, a maioria das mulheres dependia de seus maridos para ter o próprio sustento, dedicando-se exclusivamente ao cuidado da casa e dos filhos. Com o início da industrialização no Brasil, o cenário começou a mudar e as mulheres começaram a trabalhar nas indústrias, devido à necessidade de mão-de-obra. No entanto, os salários ofertados eram mais baixos que os dos homens e o trabalho feminino ganhou prioridade.

Movimentos feministas

A partir de 1970 o movimento feminista que explodiu nos EUA também chegou ao Brasil. Desde então, as mulheres passaram a ocupar atividades profissionais mais relevantes na sociedade. Passaram a ser professoras, atendentes de lojas, costureiras, entre outras funções que aumentaram a participação feminina no mercado de trabalho.

Hoje, um número incontável de mulheres são provedoras de suas famílias, atuam nas mais variadas áreas e têm seus próprios planos de carreira. Além disso, estão sempre se qualificando para aprimorar suas habilidades e avançar na ocupação de vagas melhores, que ofereçam mais benefícios.

Mulheres no mercado fotovoltaico

A cada dia a força das mulheres no mercado de trabalho está mais visível. No setor fotovoltaico, elas estão atuando com forte presença provando suas habilidades nesse segmento. Decidimos, então, incluir alguns depoimentos de mulheres atuantes no setor solar.

Entrevistamos ambas clientes da Aldo Solar, Natália Maestá, engenheira eletricista e CEO da Fonte Solar, fundada em 2013 e localizada em Brasília – DF, e Gisele Cristiane Castro, sócia administradora da Jags Sol Energia Solar, fundada em 2015, em Rolim de Moura/RO. Gisele é graduanda em Engenharia Elétrica. Acompanhe!

Conheça Natália Mestá, CEO da Fonte Solar

Natália Maestá: mulheres no mercado fotovoltaico brasileiroNatália Maestrá ingressou na faculdade de engenharia em 2012 com a intenção de cursar engenharia mecânica. Porém, no decorrer do curso identificou que tinha vocação para a parte de elétrica. Por isso, migrou de curso e se formou como engenheira eletricista no ano de 2017. Importante ressaltar o fato que dos 150 alunos do início do curso, apenas três eram mulheres. Ao final, entre os oito formandos, restaram sete homens e ela.

Vencendo desafios

Natália conta ter sido bem desafiador enfrentar a resistência masculina para seguir carreira em engenharia. De acordo com Natália, “havia um querer muito forte em mim. Muitas pessoas diziam que a engenharia não era para mim, mas quanto mais elas falavam, mais eu contestava e buscava ser melhor”.

Durante a formação, seu foco sempre esteve em geração, com grande entusiasmo por inovação. Então, quando teve o primeiro contato com a tecnologia fotovoltaica, “foi paixão à primeira vista. Lembro-me de ficar apreciando por horas o primeiro módulo fotovoltaico que comprei”, recorda Natália.

Primeiro sistema OFF GRID

Natália Maestá: mulheresSua visão empreendedora surgiu em 2013, quando montou seu primeiro sistema OFF Grid para testes e aprendizado. Dessa forma, mostrou seu funcionamento para os amigos. E, em seguida, surgiram as primeiras indicações para a montagem e instalação dos primeiros sistemas para fornecimento de energia em áreas remotas, ainda com baterias estacionárias.

Foi quando nasceu a Fonte Solar, com o propósito de reduzir os impactos ambientais, oferecer economia e levar luz para onde só havia escuridão. Portanto, a Fonte solar é hoje uma empresa de destaque no setor fotovoltaico em projetos OFF Grid na América Latina.

Preconceitos superados

Ela conta que muitos clientes ainda desconfiam e demonstram um pouco de preconceito em relação ao trabalho das mulheres no mercado fotovoltaico. Mas, todo o valor e a dedicação que ela entrega quebram essas objeções e acabam conquistando a confiança deles.

“Já, com os parceiros de negócios é outro nível. A Aldo Solar, por exemplo, sempre nos recebeu de braços abertos. Poder ter essa recepção de um parceiro como a Aldo é inexplicável. Sou fã e uma grande parceira de negócios da empresa, pois prezo muito a qualidade, e isso eles têm de sobra. Então, não é a toa que se tornaram a maior empresa do setor solar fotovoltaico no país”, garante Natália.

Gisele Cristiane de Castro: empreendedorismo e sustentabilidade

Gisele Cristiane de Castro é sócia sdministradora da Jags Sol Energia Solar. E, para ela, o interesse pelo setor de energia solar surgiu graças à vontade de empreender em algo ligado à sustentabilidade.

Gisele Cristiane de CastroEm 2015, ao lado do marido, ela participou de alguns cursos sobre energia solar para conhecer melhor o setor. E, à medida que conheciam, mais acreditam no potencial do mercado. Então, no mesmo ano, ela conheceu os sócios e criaram a Jags Sol Energia Solar. Gisele conta que acabou ingressando no segmento solar por acreditar que é possível construir negócios sustentáveis, fazer a economia girar e promover o bem para o nosso planeta.

Estabelecer parcerias e nos fortalecer com as diferenças

Hoje, Gisele de Castro é sócia administradora da empresa e responsável pela coordenação da área comercial, administrativa e financeira. Além disso, faz a gestão de projetos entre engenharia, execução e homologação.

Segundo Gisele, “a integração de todos os setores é a maneira da Jags Sol trabalhar nos projetos. Acreditamos no potencial dos profissionais e fazemos o possível para integrar diferentes perfis e habilidades. Sabemos que ninguém é bom em tudo, e nos esforçamos para estabelecer parcerias e nos fortalecer com as diferenças”, garante a executiva.

Por mais diversidade no setor solar

“Alguns parceiros de negócio ainda não sabem lidar com uma mulher no âmbito profissional. Assim, acabam perdendo bons negócios por não terem aprendido a trabalhar com mulheres que coordenam uma unidade de negócios. Quando visito feiras e eventos do setor, também observo que algumas marcas continuam com a visão de que somente homens estarão visitando aquele stand comercial. Assim, utilizam estratégias de marketing bastante chamativas aos homens, e que para muitas mulheres têm resultado completamente inverso, afastando-as do local” lamenta Gisele.

Gisele Cristiane de CastroPara ela, a mulher que atua em setor predominantemente masculino precisa ter voz ativa e muito respeito com todos os profissionais. Dessa forma, ela será respeitada e considerada enquanto profissional.

“E é somente isso que queremos: sermos vistas como profissionais no setor de energia. Alguns clientes ainda ficam surpresos quando são atendidos por uma mulher. Porém, à medida que explicamos todo o processo, mostrando nossa capacidade de realizar, com excelência, tudo que estamos propondo, ganhamos confiança e segurança do cliente”.

Por maior presença feminina no setor fotovoltaico

“Espero ver mais mulheres no mercado fotovoltaico, mostrando que somos capazes, podemos trabalhar em projetos de energia e podemos contribuir muito com nossas habilidades. Já ganhamos muito respeito profissional, e mesmo sendo a minoria, somos bem recebidas pela maioria das empresas do setor. Com isso, à medida que a receptividade aumentar, a participação feminina também vai acontecer”, conclui Gisele.

Pesquisa global de gênero no setor fotovoltaico

A IRENA realiza uma pesquisa global sobre gênero na indústria fotovoltaica com o título Pesquisa Global de Gênero da Indústria Solar Fotovoltaica. Estima-se que essa pesquisa trará estimativas e análises acerca da representação e do papel das mulheres no mercado fotovoltaico nos cinco continentes.

Contribuição da pesquisa

Os resultados da pesquisa deverão ser consistentes com os argumentos da IRENA para o lançamento do trabalho. Assim sendo, devem aprofundar e reforçar a compreensão das questões relativas a emprego feminino. Com isso, será possível melhorar as oportunidades de trabalho, bem como as soluções políticas no campo das energias renováveis. E, ainda, destacar aspectos qualitativos da força de trabalho global no ramo fotovoltaico.

Resultados da pesquisa

As informações fornecidas serão processadas e juntadas às demais entregues por outros participantes. O intuito disso é produzir uma publicação IRENA: Energia Solar Fotovoltaica: Uma Perspectiva de Gênero. A IRENA ressalta, ainda, que informações de identificação individual e dados pessoais não serão publicamente divulgados.

Conquista gradual e ampla

Por fim, como foi possível verificar nos depoimentos acima, aos poucos, temos mulheres no mercado fotovoltaico e, também, em diversos outros nichos. Então, podemos considerar o setor de energia solar uma ótima alternativa imediata ou futura, tendo em vista seu campo ainda pouco explorado. A IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável) realizou estudos que revelam a ocupação por mulheres de 32% dos empregos no segmento de energia renovável.

Trata-se, portanto, de um percentual mais alto que no setor de energia como um todo. E, devemos ponderar que quanto mais gente capacitada estiver nesse mercado, mais rapidamente a energia solar fotovoltaica será propagada no mundo todo.

E então, gostou dos depoimentos? Aproveite que está aqui e veja como encontrar fornecedores bons e comprometidos!

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