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O mercado solar é o novo rei dos mercados de energia

por Alessandra Neris

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, lançou na primeira quinzena de outubro o relatório da organização, World Energy Outlook 2020. Birol é um dos maiores especialistas globais em energia. Em sua declaração, o executivo frisou: “O mercado solar é o novo rei dos mercados de energia”.

Entretanto, Birol disse que o estudo trouxe uma perspectiva nada otimista quanto às expectativas de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius. Questionado, se as emissões globais zero seriam possíveis até meados do século, disse apenas: “Teoricamente, não é impossível.”

Assim, O foco do conjunto de previsões da IEA incide na crise da Covid-19 vivida pelo mundo desde a última edição, em novembro. O cenário de ‘políticas declaradas’ (STEPS) lança as expectativas de governos globais de que o novo coronavírus será contido no próximo ano. Assim, a recuperação econômica estará completa até o final do ano.

Tal perspectiva prevê que a situação de desenvolvimento sustentável apoia-se na previsão de políticas declaradas. Estas preveem a adoção de leis alinhadas com os ideias do acordo climático de Paris e do “zero emissões até 2050”. Dessa forma, a previsão estende o objetivo da situação da SDS para 2050-70, considerando o que seria necessário para atingir a meta em meados do século.

Fontes de energia com menor custo já vista

De acordo com o quadro de ‘recuperação atrasada’ (DRS) da IEA apresenta um choque Covid-19 estendido, com a não recuperação da economia global até 2023. Estima-se, ainda, que o mundo entre na década de menor crescimento da demanda de energia desde 1930.

É importante salientar que houve muita aceitação dos projetos solares fotovoltaicos. “Eles agora oferecem uma das fontes de energia com menor custo já vista”, de acordo com a IEA. O financiamento e os custos de materiais cada vez mais baratos fariam a energia solar desempenhar um grande papel na energia renovável. Isso contribuiria com 80% do crescimento anual esperado de 9% na demanda global de energia até 2030, no cenário STEPS da organização. A energia hidrelétrica ainda dominaria. Entretanto, haveria recordes de implantação de energia solar todos os anos, a partir de 2022 até o final da década, de acordo com a IEA.

Energia solar para desenvolvimento sustentável

A energia solar – e nuclear – contribuíram ainda mais em um desenvolvimento sustentável mais otimista e com previsões de zero emissões. Isso levaria a uma grande necessidade de redes melhoradas, flexibilidade energética e armazenamento de energia. Desta forma, esse cenário contaria com a Índia se tornando o maior mercado mundial de armazenamento em escala de serviço público, em algum momento.

Além disso, grandes investimentos serão necessários para atualizar as redes de eletricidade. Isso em um momento em que muitas concessionárias estão em crise financeira, especialmente nos países em desenvolvimento.

As chances de acelerar a queda da produção de energia a carvão foram intensificadas pela Covid-19. Assim, tal constatação se refletiu pelas expectativas de que 275 GW de capacidade de energia a carvão seriam fechadas até 2025. Isso inclui 100 GW nos EUA e 75 GW na UE. Os 39% da eletricidade mundial gerada a partir do carvão, no ano passado, devem cair para 28% até 2030.

Mudanças no comportamento do consumidor

Houve menos perspectiva imediata do ‘pico do petróleo’, que tem sido objeto de especulação em alguns trimestres deste ano. Já, as fortunas do gás dependerão muito da política, de acordo com a AIE. Ainda, pode haver um aumento de 30% na demanda global de gás até 2040. O motivo se deve à política de ar puro e o crescimento da manufatura no sul e no leste da Ásia.

Assim, os valores do petróleo e do gás caíram um quarto este ano. Assim, a indústria deu baixa de US $ 50 bilhões em ativos, até agora, em 2020. São fatos que refletem mudanças no comportamento do consumidor.

No lançamento da IEA, Birol declarou que apenas 2,5% das vendas de veículos novos foram elétricos. Isso, apesar de todas as críticas sobre o rápido aumento do número de veículos elétricos (EVs) nas estradas este ano. Diante disso, cerca de 42% das novas vendas foram de SUVs, que consomem muita gasolina, disse Birol.

China anuncia emissão zero em 2060

A China poderia dar à transição energética uma contribuição por meio de seu recente anúncio de emissão zero em 2060. Sobre esse assunto, Birol disse que a ação da China, no alcance da meta estabelecida pelo presidente Xi Jinping, será crítica para determinar a mudança climática.

Para concluir, Birol disse que não haveria atalhos para a transição energética. “Se levarmos sinceramente a sério sobre como abordar as mudanças climáticas, precisaremos de transformações profundas em nosso sistema de energia. Elas devem ser orientadas por políticas de energia boas e corretas.”

Podemos finalizar corroborando a necessidade urgente de implementar políticas sérias para transformar o consumo de energia. Nesse sentido, o mercado solar deve alcançar amplamente o status de rei dos mercados de energia.

Por fim, o mundo está de olho nas potencialidades da energia solar e sua forte influência para a sustentabilidade. Faça você a sua parte e comece a se inteirar mais no assunto, acessando nossos artigos!

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